Outubro de 2019
Essa viagem, minha primeira internacional, começou a se concretizar em 2019, quando procurei uma agência de viagens em Belo Horizonte. Uma amiga havia comprado com eles e, por indicação dela, também fechei o pacote no início do ano. Quando chegou outubro, o mês da viagem, já estava com o passaporte em mãos, comprei uma mochila nova e uma câmera para registrar tudo. Fiz o câmbio de reais para soles e, finalmente, chegou o dia: de 13 a 20 de outubro estaríamos em Cusco.
Dia 13 e 14: A Chegada
Saímos de Confins no dia 13, um domingo. Já enfrentei um pequeno perrengue logo de início. Planejei pegar um ônibus coletivo até o terminal de onde sairia a linha para o aeroporto, mas, por ser domingo, os horários estavam reduzidos. O ônibus do bairro simplesmente não passou no horário previsto. Provavelmente, a viagem foi “queimada”. Acabei chamando um Uber em cima da hora e consegui chegar no terminal a tempo. Ainda esperei um pouco no aeroporto antes de passar pela área de embarque.
O itinerário foi: Confins → Guarulhos → Santa Cruz de La Sierra (já na madrugada de segunda-feira) → Lima (pela manhã) → Cusco. Foi cansativo, mas a recompensa veio ainda dentro do avião, com a vista das montanhas nevadas dos Andes.
Desembarcamos em Cusco por volta das 11h30 (horário local). Fomos transportados por uma empresa local contratada pela agência até o centro de Cusco. Como há restrições de trânsito no centro, a van nos deixou em um ponto próximo e seguimos a pé com nossas malas. Apesar do cansaço, já começamos a tirar fotos: o cenário chamava a atenção a cada passo.
A chegada ao centro revela uma paisagem única, com a cidade cercada por montanhas. Inicialmente, não senti os efeitos da altitude (Cusco está a 3.400 metros acima do nível do mar). Fizemos o check-in por volta das 13h, no Hotel Royal Qosqo.
A primeira missão foi buscar um chip com internet. Na Avenida El Sol, encontramos uma loja da Claro e comprei um chip pré-pago com 1 GB. Em seguida, almoçamos em um restaurante ao lado do hotel. Não me lembro o nome, mas pedi logo uma Cusqueña, cerveja local, e um prato de massa com almôndegas de carne de alpaca ao molho branco. A textura era diferente de tudo que já havia experimentado — e achei tudo delicioso.
À tarde, fizemos um city tour. Passamos pela Plaza Mayor e seguimos pela Avenida El Sol até diversos pontos históricos. Adquirimos o Boleto Turístico de Cusco, que dá acesso a vários museus e sítios arqueológicos. Cada local visitado era perfurado no bilhete.
Visitamos Qenqo, Tambomachay, Puka Pukara e Sacsayhuamán, encerrando o primeiro dia de exploração em Cusco com muitas fotos e descobertas.
Sacsayhuaman
Tambomachay
Puka Pukara
The gallery was not found!Redondezas da praça central
Dia 15 – Terça-feira: Vale Sagrado e Pisac
Pela manhã, partimos rumo a Ollantaytambo, com paradas pelo caminho para contemplar paisagens como o Vale Sagrado dos Incas. Visitamos o sítio arqueológico de Pisac e almoçamos na estrada.
Dia 17 – Quinta-feira: Maras e Moray + Sustos e Aprendizados
Retornamos a Cusco e fizemos o passeio opcional para Maras e Moray. Visitamos as salinas de Maras e os terraços circulares de Moray, com paradas para fotos e explicações históricas. Comprei sal rosa e um sal preto defumado com um aroma incrível — pena ter trazido apenas um pacote! Também passamos por uma loja de chocolates locais, onde comprei alguns para levar e outros para comer na hora.
À tarde, ao voltar ao centro, percebi que havia perdido o passaporte. Fui até o Consulado Brasileiro em Cusco, localizado próximo ao Colegio Nacional Inca Garcilaso de la Vega. Fui informado de que, como entrei no país com o passaporte, precisaria dele para sair. A solução seria emitir um documento em Lima. Para isso, precisei registrar um boletim de ocorrência na Polícia de Turismo (em frente à Plaza Túpac Amaru) e sacar 90 dólares para cobrir as despesas. Saquei em um caixa da rede Scotiabank, perto do consulado.
No dia seguinte, felizmente, encontrei o passaporte! Estava em um compartimento escondido da mochila. Voltei ao consulado e, no sábado (dia 19), consegui reaver os 90 dólares. Um alívio e um aprendizado.
Dia 18 – Sexta: Vinicunca – A Montanha das Sete Cores
O roteiro desse dia começou bem cedo — às 4h30 da manhã. Após cerca de duas horas de estrada, chegamos ao ponto base, onde foi servido um café da manhã simples para o grupo. Em seguida, seguimos viagem por mais 45 minutos até o ponto de início da trilha.
A caminhada foi desafiadora. O percurso tem aproximadamente 3 quilômetros de subida por uma trilha que parte de 4.600 metros de altitude e pode ultrapassar os 5.000 metros no ponto mais alto. A altitude foi o fator mais difícil para mim. A respiração ficava cada vez mais curta, e, nos metros finais, eu já precisava parar a cada três ou cinco passos para recuperar o fôlego, como se estivesse correndo sem parar.
Além da altitude, o frio também esteve presente, embora menos incômodo do que eu esperava. Durante o trajeto, enfrentamos chuvas leves em alguns trechos, e, em determinado ponto da subida, a chuva se transformou em neve. Foi a primeira vez que vi neve caindo em flocos. Embora não tenha sido uma nevasca, o momento foi mágico e inesquecível.
Apesar do esforço físico, a paisagem compensa cada passo. O caminho até Vinicunca é impressionante por si só — montanhas, vales e uma natureza exuberante a cada curva. E, no topo, a vista da Montanha das Sete Cores é a grande recompensa: um espetáculo natural que parece pintura.
Para acessar o local, é necessário pagar uma taxa de entrada de 30 soles por pessoa (em dinheiro). Esse valor foi o cobrado na época da minha visita. Também existe a opção de fazer parte do trajeto a cavalo, serviço oferecido pelos moradores locais, ao custo de 50 soles. No entanto, confesso que optar pelo cavalo tira um pouco da magia da experiência, que está justamente no esforço da subida e na superação pessoal.
Dia 19 – Sábado: Compras, Cultura e Despedida de Cusco
Aproveitei o sábado para caminhar pelo centro histórico. Passei pela Avenida El Sol, visitei o Museu de Sitio Qorikancha e o Centro Artesanal Cusco, onde comprei uma toalha de mesa, uma bolsa de couro e várias lembrancinhas. Gastei o restante dos soles, inclusive os 90 dólares trocados na Plaza Mayor. Tudo era muito barato, ao menos naquela época.
Almoçamos ali mesmo e seguimos explorando vielas e lojinhas pelo centro. À noite, fomos ao Centro Cusco de Arte Nativa para assistir a um espetáculo de música e dança folclórica — ingresso incluso no Boleto Turístico.
Dia 20 – Domingo: O Caos do Retorno
Na manhã do dia 20, caminhamos mais um pouco pelos arredores da Plaza Mayor. À tarde, iniciamos o retorno ao Brasil com três escalas: Cusco → Lima → Santiago (Chile) → Guarulhos → BH.
O primeiro trecho foi tranquilo. Porém, em Lima, ao passar pela conexão, descobrimos que o voo para Santiago havia sido cancelado devido aos protestos no Chile. Já era noite. O guia tentou resolver com a Latam, mas foi um caos. No guichê, mandavam ligar para o call center; ao telefone, mandavam ir ao guichê. Depois de horas, sem solução e expulsos da área interna do aeroporto, buscamos as malas e fomos para a entrada do terminal. Muitos desistiram e buscaram hotel por conta própria.
Minha amiga conseguiu, por telefone, remarcar o voo dela — e me incluíram no mesmo bilhete: Lima → Cidade do México → São Paulo. Eu só queria voltar ao Brasil, nem que fosse pelo Acre! O voo saiu às 9h da manhã de segunda-feira. Ainda bem que tinha recuperado meu passaporte, senão nem poderia entrar no México.
Chegamos na Cidade do México à tarde. Passamos pela imigração, retiramos e despachamos as malas novamente. O voo até São Paulo saiu à noite e durou cerca de 10 horas.
Finalmente, na manhã de terça-feira (dia 22), chegamos a Guarulhos. Só então senti que estava de volta. Ainda havia mais uma etapa até Belo Horizonte — o voo era em Congonhas. Pegamos o transporte gratuito entre os aeroportos, enfrentamos o trânsito paulistano, e, por fim, conseguimos embarcar.
Chegamos a Confins na terça à tarde. Mais uma hora de ônibus até casa. Exaustos, mas aliviados. Dias depois, acionei judicialmente a Latam. Apesar de todo esse perrengue, a viagem foi maravilhosa e inesquecível. No fim das contas, virou uma boa história para contar.
